Muitas pessoas comentam ou até questionam por que desta vez tenho que ficar de repouso absoluto quando minha primeira gestação foi normal, sem nenhuma intervenção, pois bem, comecemos do princípio de que "uma gestação nunca é igual a outra". Mas não é só isso, não é simples assim.
De acordo com o obstetra que me acompanha atualmente, uma gestação que não chegou a termo, ou seja, um parto prematuro, em 80% dos casos tem uma causa clínica e apenas 20% são as chances de ter sido algo inexplicável, normal. Então, desde a primeira consulta, ele já se propôs a investigar a fundo o meu caso.
Para que vocês possam entender melhor, partirei do início...
Minha primeira gestação foi sim muito tranquila, porém, com 35 semanas (8 meses) minha bolsa rompeu e meu filho nasceu.
Nunca senti nada, não tive dores, sangramentos, mucos, infecções urinárias, nada!
Meu filho nasceu num domingo. Na sexta que o antecedeu, senti fortes contrações, ao que meu médico me receitou Inibina. Na falta deste medicamento nas drogarias próximas à minha residência, parti para uma segunda alternativa e tomei o Dactil Ob (que é um pouco mais fraco). Logo melhorei, e no sábado acordei super disposta, sem dor alguma e fui faxinar a casa, já que esperávamos para aquele dia a entrega do berço do bebe e o meu médico não havia me requisitado repouso. No domingo pela manhã, por volta das 10h, fui acordada com uma enorme vontade de urinar. Levantei-me rapidamente para ir ao banheiro e na mesma hora já notei que fui "vazando". Ainda em dúvida se havia feito xixi nas calças ou se era minha bolsa, aguardei a inspeção do líquido feita pelo meu marido. Confirmado o rompimento, avisei ao médico e fui para a maternidade, onde às 15h meu filho nasceu.
Como notaram foi tudo muito "corriqueiro", muito normal.
Depois disso, esperei 5 anos ponderando o melhor momento de ter outro filho.
No início de 2011 me permiti engravidar novamente, mas com 10 semanas (2 meses e meio), sofri um aborto espontâneo.
Logo em, seguida, com muito receio de outra perda, e sem querer passar as dificuldades de encarar novamente a rede pública de saúde, fiz um plano de saúde pra mim. Já que não tinha qualquer intenção de desistir deste sonho.
Plano de Saúde contratado, parti em busca de indicações de obstetras. E o que hoje me acompanha foi indicado tanto por uma enfermeira quanto por um cardiologista que são de minha confiança.
Já na primeira consulta obstétrica ele me solicitou todos os exames do pré natal e pediu também para ver o laudo da curetagem. Com os resultados em mãos ele suspeitou de uma possível infecção, já que a curetagem acusava uma inflamação na camada interna do útero quando do aborto. Só que para investigar a fundo esta possível infecção eu teria de fazer um exame específico, que não está sendo realizado aqui em minha cidade. Então, antes que eu pudesse correr qualquer risco, já tratamos desta suspeita com antibiótico, uma vez que o medicamento não traria qualquer prejuízo para mim ou para o bebe.
Com 16 semanas ele solicitou mais um exame para excluir qualquer possibilidade de parto prematuro, que foi o exame para Streptococos, que felizmente deu negativo. Porém logo depois tive outro sangramento e ele me internou. Houve aí uma pequena confusão causada por laudos de ultrassons incompatíveis, e neste momento ainda não tínhamos qualquer certeza se era uma possível placenta prévia ou uma IIC (o que se provou ser mais adiante). Já prevenindo uma possível intervenção cirúrgica, tive que tomar antibiótico mais uma vez e também uma injeção de bezetacil.
Quando na morfológica confirmou-se a incompetência do colo do útero, ficamos um pouco mais tranquilos quanto a qualquer infecção, justamente por já ter me prevenido antes.
Então, pra quem ainda se pergunta, mas por que???....posso afirmar que foi porque confirmou-se a informação de que em 80% dos casos de parto prematuro há uma causa, e que no meu caso foi por que eu devia ter apresentado a tal Incompetência Istmo Cervical já na primeira gestação, só que naquela época não foi investigada e detectada e desta vez, o caso se tornaria ainda mais perigoso uma vez que o meu organismo já enfrentou um parto.
É isso!!! Esta gestação está sendo diferente da primeira sim, mas não porque uma sempre é diferente da outra, mas sim porque desde quando eu achava que não tinha problema algum, eu já o tinha.
Sendo assim, a minha dica é: INVESTIGUEM!!! Não aceitem qualquer eventualidade ou fatalidade como ocasional. Nosso corpo possui memória, e investigando sempre podemos encontrar as causas.
Beijos a todos
Mi
Amiga, gostei muito do seu blog!
ResponderExcluirE conte comigo para o chá virtual!
Te adoro muuuito!
MI, lembro bem de tudo que aconteceu ano passado, nossa conversa aqui no meu sofá, a mensagem de celular sobre o bebê que está no céu. Lembro tb do seu telefonema com uma voz tremida me avisando que havia perdido. Lembro de eu ter chorado como criança qd desliguei o telefone, mas sei que tenho um afilhadinho no céu.
ResponderExcluirSabe, depois de tudo isso que vc viveu e que tive a graça de acompanhar e lendo esse post, vejo o quanto vc cresceu. Mesmo vivendo uma possível negligência médica, vc deu a volta por cima e fez o certo. Correu atrás de tudo que pudesse fazer para cuidar da nova gravidez. E Deus ajudou colocando o médico certo na sua vida. Agradeço a Deus pelo interesse do seu médico.
Agora, tudo o que aconteceu no parto prematuro do Andrew e tudo o mais ficou claro e é bom demais poder entender as coisas que acontecem.
Agora vem aí o nosso Lorenzo. Já amado demais e muito festejado, como é o significado do nome dele.
Mil beijos, te amo.
Didi